Imagem Veloz

Entre as imagens e as palavras correm rumores


(Imagem : Chris Marker)





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“ If I were just curious, it would be very hard to say to someone, "I want to come to your house and have you talk to me and tell me the story of your life." I mean people are going to say, "You're crazy." Plus they're going to keep mighty guarded. But the camera is a kind of license. A lot of people, they want to be paid that much attention and that's a reasonable kind of attention to be paid.” 

-Diane Arbus

"Vejo, e já é muito"

"Ninguém compreende o outro. Somos, como disse o poeta, ilhas no mar da vida; corre entre nós o mar que nos define e separa. Por mais que uma alma se esforce por saber o que é outra alma, não saberá senão o que lhe diga uma palavra - sombra disforme no chão do seu entendimento.
Amo as expressões porque não sei nada do que exprimem. Sou como o mestre de Santa Marta: contento-me com o que me é dado. Vejo, e já é muito. Quem é capaz de entender?
Talvez seja por este cepticismo do inteligível que eu encaro de igual modo uma árvore e uma cara, um cartaz e um sorriso. (Tudo é natural, tudo artificial, tudo igual.)"

-Bernardo Soares, in livro do desassossego

Al Berto vs Luísa Ferreira







"Mas não é nada disto que te quero confiar, querido diário. Quero contar-te o que aconteceu no outro dia. Esteve por aqui uma rapariga a fotografar-nos. Alinhámo-nos rapidamente. Aprumados, como se deve estar, e deixámos que ela – parece que se chama Luísa – nos tirasse o retrato."


- Al Berto, in Dispersos

“(…)A transcendência da realidade começa na fotografia e termina na palavra. Porque é que ao olhares um objeto conhecido e vês a sua fotografia, olhas esta com um sentir diferente? Porque é que o real e a sua pressuposta imagem fotográfica têm de permeio algo de estranho ou surpreendente? Há já aí uma transposição para um outro domínio em que o imaginário obscuramente se nos abre, como creio já ter dito. Que todavia se leia o que o escritor viu nesse real fotografado e saberemos como a própria imagem se transfigurou. E é o que se inicia já na representação pictórica do mesmo real, por mais 'realista' que ela for. Mas a palavra transpõe-no para o máximo de irrealização, porque é necessário reconstruí-lo e fixá-lo no puro imaginar. Do real à palavra vai uma distância infinita. É a que vai da bruteza ou confusão à essencialidade oculta, a que vai do ver material ao anônimo ou imaginário aberto por um ver subjetivo que lhe dá uma significação. O real está do lado das coisas. O imaginário, do lado do homem. Mas o real não existe, se o homem o não o fizer existir."


Vergilio Fereira in Pensar