Um pão numa mão;
na outra, uma bolacha. Depois é só esticar os lábios e mostrar os
dentes ( sorriso pepsodent). Só faltava um elemento de
ligação para mostrar o invisível no que nos é dado a ver (e
envolver para tornar mais espesso) .
A menina enfiou um
chapéu azul e amarelo que a protegia do sol. Com um elástico, prendeu-o à volta do queixo. O estado de alma tornara-se uma adivinha.
Era vê-la correr naquelas planícies verdes e ensolaradas de olhos escondidos e tranças pretas a oscilarem ao sabor do vento e do
movimento. No friso amarelo do chapéu de pano estava escrito,a letras manuscritas, Inês L.
( Esta sim, esta não. Esta ( não se veem os olhos):sim ou não?)
"Não há rosto
que não envolva uma paisagem desconhecida, inexplorada, não há
paisagem que não seja povoada por um rosto amado ou sonhado, que não
desenvolva um rosto por vir ou já passado. Que rosto não chamou as
paisagens que amalgamava, o mar e a montanha, que paisagem não
evocou o rosto que a teria completado, que lhe teria fornecido o
complemento inesperado das suas linhas e dos seus traços?"
- Gilles Deleuze
Jan Saudek ( 120km/h)
O rapaz indiano
Tinha um olhar límpido e uma amabilidade despretensiosa.Dava
vontade de ficar
a flutuar naquele rosto. E ser feliz.
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