Janeiro de 2015
«
Olha que giro» . A exclamação é acompanha de um clique.
Logo a seguir outro. Mais uns tantos. Todos no mesmo ângulo, a
incidirem no mesmo manequim – representação do corpo
expedicionário português na primeira guerra mundial. Uma massa de
adolescentes invade o Átrio Principal do Palácio de São Bento onde
decorre uma exposição sobre a participação de Portugal na
Grande Guerra.Perturbam o ócio das horas. Partilham um
maravilhamento todo superfície e um interesse de fingir. E aí está
uma selfie ao lado do busto de mármore de Anselmo
Braamcamp Freire. (Não chegaram a saber quem foi). « Vem agora tu
para aqui»(de tanto vermos parece que deixámos de ver). Outro
estalar de interruptor, tão mecânico e instintivo como levar a mão
ao nariz . Este a uma pequena escultura dos soldados em África.( Não
por o objeto em si, nem por a cultura, muito menos pela
fotografia, mas porque sim).
Na
verdade, também nunca gostei de museus. Nunca vi nem ouvi vida ali.
