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| Martin Parr, Atenas 1991 |
(Ele prestava-lhe uma
atenção viva ( em silêncio). Ela envolvia-o com uma
expressividade enriquecida de sorrisos. Deixava voar os gestos. Não
era propriamente um muro o que os separava. Talvez um véu. A força
da imagem estava numa certa ambivalência, uma intimidade smi
emcoberta.)
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entre parêntesis
"Vejo, e já é muito"
"Ninguém compreende o outro. Somos, como disse o poeta, ilhas no mar da vida; corre entre nós o mar que nos define e separa. Por mais que uma alma se esforce por saber o que é outra alma, não saberá senão o que lhe diga uma palavra - sombra disforme no chão do seu entendimento.
Amo as expressões porque não sei nada do que exprimem. Sou como o mestre de Santa Marta: contento-me com o que me é dado. Vejo, e já é muito. Quem é capaz de entender?
Talvez seja por este cepticismo do inteligível que eu encaro de igual modo uma árvore e uma cara, um cartaz e um sorriso. (Tudo é natural, tudo artificial, tudo igual.)"
Amo as expressões porque não sei nada do que exprimem. Sou como o mestre de Santa Marta: contento-me com o que me é dado. Vejo, e já é muito. Quem é capaz de entender?
Talvez seja por este cepticismo do inteligível que eu encaro de igual modo uma árvore e uma cara, um cartaz e um sorriso. (Tudo é natural, tudo artificial, tudo igual.)"
-Bernardo Soares, in livro do desassossego
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entre aspas
Os melhores retratos
de Tamsin davam-se no intervalo da necessidade de ficar bem na
fotografia e no receio que isso não acontecesse, com todos os
fantasmas interiores a açambarcar as expressões e os gestos.
Cláudia volta a insistir nos grandes planos onde tudo isto ganhava
relevo ( « a fotografia é implacável», o Miguel sempre disse) .
Editou apenas o que ficou desse intervalo. Como um momento em que os pés
descansam dos saltos e o corpo respira livre de espartilhos. Há uma
beleza não fabricada que tem um cair despojado, despretensioso e livre.
Dos que hão sempre de ficar estranhos…
O único olhar sem interesse recebido no acaso
Da extrangeira rápida…
O olhar de interesse da creança trazida pela mão
Da mãe distraida…
As palavras de episodio trocadas
Com o viajante episódico
Na episódica viagem…
Grandes maguas de todas as coisas serem bocados…
Caminho sem fim…"
Álvaro de Campos, in livro de versos
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sublinar
“Nunca
nos podemos banhar duas vezes na água do mesmo rio “( Heraclito).
A fotografia fala-nos nisto: do extraordinário e da vida que
corre e a correr renova e desfaz…
“O
céu e a terra passarão…” ( Mateus 24:35) mas o extraordinário
reacender-se-á inesperadamente. O rosto, o gesto, a assinatura são
só os lugares onde se mostrou (e voou).
I. exibe com satisfação as fotografias da filha.
B. é um espanto. Conseguimos prová-lo. A luz enamorou-se dela.O tom de
pele e as cores do vestido naquele fundo assentaram na perfeição (seria
sorte?). E depois o sorriso, ao rubro, com a alegria que as mães gostam de ver nos
filhos. A cara toda no enquadramento. Onde está a fotógrafa? Tornou-se uma raiz esquecida. Isto sucede porque carregar num botão e copiar a realidade
em fragmentos parece coisa de crianças. Só o olhar treinado e atento vê no
referente uma espécie de autorretrato indireto.O retrato técnico é uma relação do fotógrafo com o modelo que a expressão tantas vezes sintetiza. Depois entra sempre o imprevisto. Fotografar é ( também) estar alerta.
- Qual é a tua profissão?
- Tiro fotografias.
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