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| Por Bernard Plossu, 2008 |
No dia 15 de Abril
Laurinha completou 65 primaveras. Cláudia coroou-a de flores de
tonalidades rosa e lilás. Percorreu o colégio a fazer poses. No
rosto trazia vestigios do caminho percorrido, mas mantinha a expressão fresca da primeira vida. À sua passagem os miúdos
falicitavam-na com vivacidade. As professoras, Rita e Inês, ao fundo
do corredor, acelararam o passo para colar os seus sorrisos ao dela ( clic:
Laurinha com a grinalda de flores no meio!). Mesmo sabendo qual será
o presente de Cláudia – depois das velas apagadas, a maquilhagem
desfeita e os olhos a retomar o brando brilho quotiiano - , as
fotografias são sempre uma surpresa.
Na Avenida Conde de
Valbom uma mulher abre a janela. Os pombos, aos atropelos, debicam
grãos no parapeito. Na agitação de asas e bicos, quase lhe picam
os dedos. A senhora parecia ter acabado de se levantar do leito da
morte, pelos sulcos fundos à volta dos olhos e a pele esvaziada de
vida. Quando fecha a janela e as aves procuram outros alvos, a sombra
intenssifica-se. Logo ao virar da esquina, na Avenida Duque de
Valongo, o gerente de uma pastelaria - camisa aos quadrados, volume a
romper as marcas - prepara as mesas ao ar livre. Tenta
afastar com mão firme e rubusta os pombos assustadiços. Ainda
assim, não resistem ao tentador desafio de uma migalha. Entre o sol
e as nuvens não houve nada. A manhã ergueu-se com uma luz
irrepreencivel. Cláudia entrou no colégio. Procurou domesticar a
claridade excessiva e traduzir nos rostos de Madalena, Marina e
Leonor a alegria - ainda sem grandes motivos.
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