Na
História dos Três Porquinhos, Wagner era o Lobo Mau. Começara por encher
as bochechas de ar, ajustou os lábios fartos ao microfone e suprou. Ficou
a um passo de levar a platéia pelos ares.
E a fotógrafa andava por lá. Circundava o
caos
da direita para a esquerda, subiu para cima da mesa (dizia "reservado", mas enfim);
experimentou um
plano contrapicado, aberturas
de
diafragma maiores ...
Não
foi desta que o Lobo Mau teve
uma fotografia digna de moldura. Depois
baixaram os
smartphones,
os iphones,
os tablets,
as câmaras compactas, as
teleobjectivas
e todas essas extensões,
mais ou menos sofisticadas,
do
olhar.
As mãos ficaram livres para aplaudir. Um sorriso de mãe —
daqueles
que deixa a alma ao rubro nos olhos —
enche
o espaço. Como estava fora de cena
e
não fazia parte do assunto principal, ninguém o quis destacar.
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