![]() |
| Adama |
"No último
dia em que nos encontrámos, a Cláudia ofereceu-se para me levar ao
carro. Respondi que não era necessário - estava tão perto e, além disso,
eu deveria até andar mais a pé...
Insistiu, «talvez haja pêlo da Lukita no banco», mas acabámos por nos despedir ali.
Na curta distância que me separava do parque onde deixei o "Sapinho", o pensamento nasceu sincopado. As ideias eram simples flashes, sem pressa, sem pressão. E uma das que me acompanhou trazia Lukita.
Lukita.
Não a conheci mas muitas vezes esteve ali ao lado, nestes nossos
encontros sem tempo - mesmo que com os minutos a pingar rapidamente,
quando o toque da campainha comandava os meus passos.
Lukita nunca foi tema de uma nossa conversa. E, ainda assim, estava lá.
Atravessava-as, entrava e saía. A sua presença nunca precisou ser
anunciada. Nem registada.
No Deve & Haver da nossa vida talvez lancemos o que é importante. Nunca o que é vital. Nas Receitas nunca haverá entrada para o afecto, como nas Despesas não há linhas para o vazio que não sabemos dizer.
Dizemos
Vi um pássaro,
acrescentamos
Comi morangos.
Nunca nos lembramos de referir
Respirei.
Também o ar entra e sai e atravessa as nossas conversas."
- Cristina Silveira de Carvalho
Subscribe to:
Comments (Atom)


