#AF
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Na
secretária dos quatro meninos que apreendiam mais lentamente as
lições, Joana empatava-se nas letras, baralhava-se nos cálculos,
arrefecia no pensamento abstrato. Com uma das faces apoiadas na mão
esquerda, parecia adormecer um dos lados de si. Com a mão direita,
fazia deslizar o lápis a custo. Carregava tanto no traço que, ao
apagar, esborratava a folha. Quando levantava os olhos – enormes –
das letras nascia a manhã. Para o enquadramento estava sempre a
jeito e entusiasmava-se a reforçar ângulos do corpo para a
fotografia, dando-se a múltiplas expressões convictas. Creio que
Joana tem um dom. Talvez pouco percebível; provavelmente nada
importante para a configuração geral do pensamento. Muito menos
para o programa curricular.